A CPI dos Pedágios da Assembleia Legislativa RS realizou, na sexta-feira (20/2), uma audiência pública na Câmara Municipal de Lajeado para debater os impactos do Bloco 2 de rodovias.
A atividade reuniu lideranças regionais, representantes de entidades, vereadores, prefeitos e moradores do Vale do Taquari e da Região Norte, que manifestaram forte preocupação com o modelo de concessão proposto pelo governo Eduardo Leite.
O Bloco 2, que tem leilão previsto para 13 de março, prevê uma concessão de 30 anos. Serão 408 quilômetros de rodovias, com 24 pórticos de cobrança por free flow em 32 municípios – um pórtico a cada 17 quilômetros. A tarifa prevista é de R$ 0,19 por quilômetro rodado.
Durante a audiência, o deputado Rodrigo Lorenzoni criticou a narrativa do governo estadual de que quem questiona o modelo de concessão seria contra o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Segundo ele, o Executivo está ferindo o princípio da razoabilidade e atropelando órgãos de fiscalização para implementar um projeto movido por interesses políticos.
“O processo está viciado por decisões políticas. Não podemos sacrificar uma região inteira por um processo mal feito”, afirmou o parlamentar. Rodrigo Lorenzoni também detalhou os valores considerados abusivos que os usuários passarão a pagar caso o Bloco 2 seja implementado. Como exemplo, citou o caso de um caminhão de seis eixos, que atualmente paga R$ 134,40 no trajeto de ida e volta entre Lajeado e Erechim. Com a nova concessão, esse valor subiria para R$ 742,44.
O deputado alertou ainda para problemas operacionais do sistema, como a atualização da pesagem em até 72 horas, o que pode penalizar caminhoneiros que frequentemente circulam carregados na ida e vazios na volta, aumentando ainda mais os custos do transporte.
Além disso, Lorenzoni demonstrou preocupação com etapas do processo que ainda precisam ser superadas, envolvendo órgãos como a EGR, a AGERGS e o Tribunal de Contas do Estado. Segundo ele, o estudo utilizado pelo governo considerou a média de valores cobrados em 10 blocos de concessões no Brasil, sendo que nove deles não tiveram aportes públicos, o que distorce a comparação.
Durante a audiência, outros deputados, lideranças regionais e membros da comunidade também se manifestaram contrários ao modelo apresentado, criticando as concessões mal formuladas e os impactos econômicos e sociais que os pedágios podem gerar para o Vale do Taquari e a Região Norte do Estado.