CPI dos Pedágios já produz efeitos e revela fragilidades nas concessões, diz Lorenzoni

O deputado Rodrigo Lorenzoni avalia que a CPI dos Pedágios já começa a produzir efeitos concretos e a expor fragilidades no modelo de concessões rodoviárias adotado pelo governo do Estado. Segundo o parlamentar, os desdobramentos recentes da comissão evidenciam conflitos de interesse, uso questionável de recursos públicos e recuos políticos do Executivo.

A avaliação foi feita após a reunião da CPI realizada na terça-feira (25), quando Lorenzoni participou da oitiva do secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Maciel Capeluppi.

Entre os pontos destacados pelo deputado foi a criação do Conselho de Usuários do Bloco 3, instituído apenas agora, após quase três anos de irregularidades apontadas no processo. Para Lorenzoni, o momento da medida levanta questionamentos. “Por que só agora?”, indagou.

Durante a oitiva, o parlamentar também denunciou um aporte de R$ 1,5 milhão em recursos públicos, classificados como “patrocínio institucional”, destinados a uma entidade empresarial que promoveu seminários para “debater” os pedágios. Segundo ele, os eventos apresentaram uma visão favorável ao modelo defendido pelo Executivo, o que levanta dúvidas sobre o uso desses recursos.

Resultados políticos e administrativos

Lorenzoni ainda apontou possível conflito de interesses envolvendo a AGERGS. De acordo com o deputado, o atual presidente da agência participou da elaboração do edital do Bloco 3, comemorou a assinatura do contrato e, atualmente, é responsável pela fiscalização da concessão. “É uma situação que precisa ser esclarecida”, afirmou.

Outro fato considerado grave foi a publicação do Bloco 2 das concessões sem a análise conclusiva do Tribunal de Contas do Estado, algo que, segundo Lorenzoni, não ocorreu nem no primeiro nem no segundo governo Eduardo Leite.

Para o deputado, a CPI dos Pedágios já começa a gerar resultados políticos e administrativos. “Os efeitos já aparecem e o trabalho está apenas começando. Vamos seguir atuando para aprofundar as investigações, com foco na transparência dos contratos, na correção de eventuais irregularidades e na defesa do desenvolvimento econômico sustentável, acima de tudo, do cidadão gaúcho”, declarou.

Foto Fernando Gomes | Agência ALRS

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